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    RELIGARE!
     


    DEZ IRMÃOS

    A Bia é outra das coisas deliciosas da minha infância, ainda mais deliciosa do que Luluzinha e Bolinha. Éramos quatro irmãos: Ana, Lúcia, Marília e Toni. Na nossa infância ganhamos mais quatro: Bel, Bia, Cínthia e Aninha. E na nossa adolescência ganhamos mais duas: Kiki e Renata.

     

    Dez irmãos é coisa muito boa... mas é muita coisa! Ainda bem que morávamos em três casas... Quem daria conta de dez crianças? Dez adolescentes?

     

    Imaginem a minha mãe arrumando dez crianças para levar à Cultura Inglesa, à Aliança Francesa, à natação, ao ballet, ao judô, à escolinha, ao Porto Seguro, aos casamentos das suas dezenas de primos. “Aviso aos navegantes: Quem vai, vai. Quem não vai, fica!” Quantas ficariam prontas a tempo? Imaginem o meu pai contanto estória para dez crianças dormir. Haja personagem! E consertando os secadores de nove meninas? E o Toni tendo de lidar com nove calcinhas penduradas no chuveiro? Nove meninas disputando o telefone. A minha avó Neta fazendo bolinho de chuva para um quase time de futebol. A minha avó Ermelinda fazendo dez crianças escolher seu tenor predileto entre Tito Schipa, Beniamino Gigli e Caruso.

     

    Imaginem a tia Beth ensinando bons modos para uma dezena de mal-criados. O tio Ernesto entretendo dez crianças com mágicas e palhaçadas. A Zê pedindo para dez crianças moderar na bagunça. Que carro o tio Geraldo teria para levar dez adolescentes baladeiros ao Papagaio’s, às festinhas? Uma Kombi? E que paciência a tia Marilena precisaria ter para tirar da cama dez adolescentes dorminhocos em Guaecá! E quanta estória de namoro a Inês precisaria contar para prender a atenção de dez adolescentes curiosos?

     

    Ninguém daria conta!

     

     

     

    VOU-ME EMBORA PRA RUA MOURA BRASIL 

     

    Mas que bom que duas dessas casas eram na mesma rua, na Moura Brasil. Quando falo que tive uma infância deliciosa não estou só. Outro dia a Aninha falava para a Ana sobre a sua idéia de paraíso, de paraíso nessa vida, de paraíso depois dessa vida, da sua Pasárgada... e esse paraíso é como a sua vida na Moura Brasil. Exceto que lá a Zê não precisa fazer faxina.

     

    É essa também a minha idéia de paraíso: A Moura Brasil da minha infância. Exceto que lá sou amiga do rei:  Eu ouço a música que eu quero, na hora em que escolherei.

     

    Deixo com vocês a vista da janela do meu quarto na Moura Brasil. À frente, um ipê amarelo. A casinha do Danski ficava onde a grama está falha. Esse foi o meu olhar, talvez o primeiro de cada dia, por 24 anos.

     



    Escrito por LUX! às 18h32
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    EU QUERO SER LULUZINHA

    Tive uma infância deliciosa, e uma das coisas deliciosas dessa infância foi aguardar ansiosamente, ler, devorar e colecionar as estórias em quadrinho da Luluzinha e do Bolinha.

     

    Eu não sabia que as aventuras da Luluzinha passavam na típica American suburban life dos anos 30 e 40. As mães sempre de avental, levando uma vida restrita aos afazeres domésticos. Os pais chegando do trabalho em carrões, pendurando o sobretudo, guardando o chapéu, perguntando o que haveria para o jantar. Eu não tinha a menor idéia de que, nesse ambiente, a Luluzinha era inovadoramente feminista. Tampouco passava pela minha cabeça que o papel que a sociedade reservava para meninas e mulheres, já nos anos 70 da minha infância, era tão tímido.

     

    Eu apenas... queria ser Luluzinha! Eu queria flanar por aí sem adultos, na cidade, no bosque, no parque, eu queria vender beijos e limonada na frente da minha casa, eu queria ser baby-sitter de um Alvinho, eu queria ter uma übber-amiga Aninha, eu queria ganhar a atenção de um Plínio Raposo, eu queria quebrar a regra de apenas-meninos de um Clube do Bolinha.

     

    Também quis ser National Kid ("Nacionaro Kido, Kido!"), Tintim, uma das panteras – não a mais inteligente, a mais bonita mesmo – a mulher biônica, Suzi Quatro, Norminha, Mafalda. Quem mais? Ah, muita gente! Mas sobre isso eu falo outra hora.

     

    Porque primeiro eu quis ser Luluzinha.

     

     

     

    EU QUERO SER LULUZINHA 2 

     

    Mas por Alcéia e Meméia, por que tudo isso agora? 

     

    Tudo isso porque na Bahia comecei a treinar capoeira e, de volta a São Paulo, apresentei-me ao grupo de capoeira do clube Paulistano. O professor Moby Dick logo me pergunta qual é o meu apelido de capoeirista. Não tenho. Ele se surpreende. Na capoeira todo mundo tem um apelido, oras. Nesse caso, caberia a ele, Moby Dick, me dar esse apelido.

     

    Ele pensa. Aguardo com alguma apreensão. Pois Moby Dick é o irmão do Peixe Cru e os meus colegas são Elegante (o lindão), Riquinho (de Ricky Riquinho), Lagartixa (o branquinho, talvez), Royal (divertida como gelatina), Mosquito (o magrinho), Mosca (a mãe do Mosquito) e Tatá (nem ele se lembra). O que vem para mim?

     

    Moby Dick chega a um veredicto. Olha para mim. Faz uma pausa. Anuncia: “Você é Luluzinha!”

      

     

     

    EU QUERO SER LULUZINHA 3 

     

    Agora, pensando melhor, a Bia me chama de Luluzinha. Mas ela me chama de todos os nomes e coisas que começam com lu – contanto que sejam nomes fofos, meigos, carinhosos... como a Bia é!

      

     

     

    EU QUERO SER LULUZINHA 4

     

    E não é que eu parecia um bocado com a Luluzinha? Se eu prendesse o cabelo como ela? O sorrisinho, o nariz arrebitado, os olhos negros?



    Escrito por LUX! às 12h53
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